O São Luiz F. C. renasce vitorioso depois de mais de duas décadas no anonimato

As conquistas do São Luiz F. C., o futuro do Sub 17 e das Categorias de Base é uma preocupação da diretoria e da equipe técnica do clube.

São Luís de Montes Belos-GO
virgula Muito do mérito que está acontecendo, deve-se ao Tiago Gomes, que é um treinador excepcional, abençoado. Professor Leão virgula


Após mais de duas décadas sem vislumbrar pelo menos uma tênue luz no túnel da obscuridade, do anonimato, o São Luiz Futebol Clube – o Galo da Montanha – há exatamente dois anos, está vendo novamente o sol brilhar no horizonte, através da garotada do Sub 15 e do Sub 17. Principalmente do Sub 17, por meio das suas gloriosas vitórias no Campeonato Goiano Sub 17 da Primeira Divisão.

Desde 1996, há 21 anos, que o alvirrubro montebelense, não disputa um campeonato com uma equipe profissional. No entanto, a partir do início de 2015, quando Valdir Teodoro (Maestro Cocá) assumiu a presidência do clube, novas perspectivas voltaram a se fazer notar, com a criação das Categorias de Base do Sub 13 e do Sub 15. Naquele momento a equipe Sub 15 contou com alguns jogadores de fora, mas a Sub 13, foi totalmente montada com atletas locais. 

A princípio a tentativa não logrou êxito. Faltou o mínimo de infraestrutura que o clube não tinha, como alojamento e refeitório. Para seguir com o projeto de fazer São Luís de Montes Belos voltar a respirar futebol, uns poucos abnegados pela proposta, com recursos próprios alugaram e mantiveram uma casa, sem nenhuma contribuição do executivo municipal.

Em 2016, na gestão da prefeita Mércia Tatico, a prefeitura promoveu a realização da Copinha São Luís a nível nacional. Nessa competição, o Galinho da Montanha Sub 15 e o Sub 17 se destacaram como campeões.

Entusiasmado com as conquistas, o professor Eduardo Leão, com o apoio de alguns comerciantes, da prefeitura e, principalmente com a força de vontade do presidente Cocá e do João Paulo – responsável pela captação do clube –, outro elo forte na estruturação das Categorias de Base, reformaram o alojamento e reforçaram o elenco das duas equipes para disputar a Segunda Divisão. Novamente o São Luiz foi campeão.

Em seguida, confiantes de que poderiam dar mais um passo decisivo em direção a novos triunfos, o Sub 17 disputou a Taça Mané Garrincha, sagrando-se vice-campeão, perdendo para o Vila Nova. E o Sub 15 disputou a Copa Goiás.

Manter a equipe foi outro desafio a ser enfrentado. Para tanto, a alternativa encontrada, foi realizar uma campanha entre os comerciantes e a própria comunidade vendendo a camisa do clube, no sentido de conseguir recursos para gerir recursos, com os quais iriam subsidiar as refeições dos atletas. Com muito esforço conseguiram montar uma cozinha com fogão industrial, novamente sem nenhuma ajuda do poder público municipal. Hoje a garotada sob os cuidados do clube tem um local digno para a suas alimentações diárias.

O próximo desafio que o Galo da Montanha pretende encarar, será o de criar a equipe Sub 19 (juniores), a qual permitirá dar sequência nos trabalhos que vêm sendo realizado e, garantir que os atletas formados pelo São Luiz permaneçam e no futuro possam prover recursos financeiros, através de negociações com outros clubes interessados nas suas qualidades.

Para disputar o Campeonato Goiano Sub 17 da Primeira Divisão, devido muitos jogadores terem ultrapassado a idade limite, uma nova equipe foi montada. “Antes ninguém acreditava no São Luiz, agora com o sucesso que está alcançando, o menino que está lá em baixo já pensa em subir para outra categoria, passou acreditar no seu próprio potencial”, ressalta Eduardo Leão, diretor das Categorias de Base.   

A exemplo do que vem acontecendo dentro do próprio clube com o Sub 15, onde os atletas local e da região são bastante observados. Com frequência, garotos com idade a partir de 14 anos, que jogam na AABB, no Módulo Esportivo, no Atletas de Jesus e nos bairros, são submetidos a uma triagem. Aqueles que têm perfil de jogador e condições de serem melhorados, são aproveitados pelo clube. O mesmo processo é adotado para o Sub 17 através do Sub 15.

Com esse propósito, o São Luiz pretende se tornar uma excelência nas Categorias de Base. Os próprios organizadores admitem que não será fácil. O clube ainda não tem uma estrutura que atenda este objetivo. Não tem professor, não tem fisiologista, não tem psicólogo, não tem nutricionista, o fisioterapeuta é não mais que o Dr. Bruno Mendonça da Clínica Goiana de Diagnóstico, outro abnegado, que tem contribuído doando o seu trabalho assistencial e de conhecimentos de forma voluntária.


O craque João Vitor (Pará) comemora com os companheiros mais um gols marcado, dos 17 já emplacados no Campeonato.

Planejamento será a bola da vez: “O nosso time teve uma ascensão meteórica, para um time que estava morto, que disputava no máximo um campeonato em 6 meses, já vamos para 3 anos. Estamos na final de um Campeonato da Primeira Divisão em dois anos. O São Luiz hoje é um time que está na mídia. Muito do mérito que está acontecendo, deve-se ao Tiago Gomes, que é um treinador excepcional, abençoado”, enfatiza Eduardo Leão.

Para esta reportagem, em entrevista exclusiva, o professor Leão fez uma revelação no mínimo preocupante. De acordo com ele, o destino do atual Sub 17 é incerto, o time será praticamente desfeito, justamente pelo fato do clube ainda não ter o Sub 19. “Nós precisamos revelar jogador. Vou citar como exemplo o zagueiro João Guilherme, com 17 anos e apenas 3 meses no time, foi transferido para o Grêmio. O representante do Grêmio esteve aqui, durante o jogo da vitória do São Luiz por 3 a 2 contra o Atlético-GO e fez uma proposta irrecusável. Hoje ele é titular no Grêmio, mas pertence ao São Luiz F. C.”, esclarece.

Futuramente numa transação de venda do João Guilherme para outro clube, o São Luiz tem 50 % do direito econômico sobre o atleta. O valor dessa transação para colorado montebelense será altamente benéfica. “Hoje o São Luiz não pode disputar um campeonato da primeira divisão porque o estádio não atende as exigências da Federação Goiana e do Estatuto do Torcedor. Com a venda do João Guilherme que esteve no clube apenas 3 meses, vindo de Cuiabá-MT, nós podemos reformar o estádio no que se refere ao essencial, conta.

As propostas estão aparecendo, graças ao competente trabalho de formação desenvolvido pelo São Luiz. João Victor Miranda (Real), o João Vitor (Pará, artilheiro do campeonato com 17 gols), o Eduardo Figueiredo (Cuiabá) e o Dhemerson Lima, estão na mira de outros clubes. Mas o direito federativo pertence ao São Luiz registrado na Federação e na CBF. Portanto, eles só saem do clube através de contrato semelhante ao do João Guilherme.

No segundo semestre o Galinho da Montanha vai disputar novamente a Taça Mané Garrincha, serão mais seis meses de competição. Para manter os jogadores que atingiram a faixa dos 17 anos e fazer com que continuem pertencendo ao São Luiz, é imprescindível a criação da categoria Sub 19 (juniores) – o último estágio para se tornar profissional. Do contrário será prejuízo para o clube, vez que, ele atingiu a idade limite e não tem como mantê-lo no quadro de negociações.


O treinador Tiago Gomes orienta sua equipe

De acordo com o radialista Erildo Pereira Guimarães, diretor da rádio Ativa FM, o qual está na imprensa como radialista desde 1983 e, o primeiro a transmitir uma partida de futebol por uma emissora FM. Na década de 60 e 70 quando o São Luiz viveu sua época de ouro o nome do clube constou na Loteria Esportiva. “A gente vê que nunca e tarde para recomeçar e a nossa cidade voltar a ter o destaque merecido, revelando inclusive talentos locais”, diz entusiasmado.

“Não tenho certeza se é o filho do Eduardo ou do Karlai que montou uma escolinha no Módulo Esportivo. Eu sei que o filho de um deles, disputou há 3 ou 4 anos a Copinha São Paulo; o filho do Chico Paraíba hoje está disputando pela categoria profissional; o Batoco, craque montebelense na década de 70, foi profissional de destaque no Vila Nova”, conta.

Para que o clube continue crescendo e revelando novos jogadores, segundo Erildo, é preciso que se estabeleça um conjunto de ações envolvendo o poder público, a iniciativa privada e a própria sociedade para que estejam engajados apoiando o clube de forma efetiva nesse processo de crescimento. Porque quando o time está bem, as empresas investem, abrem-se as portas e as ajudas aparecem com mais facilidade.

“A imprensa sempre esteve presente, apoiando quando solicitada. Eu nunca me neguei a contribuir, sempre abri espaço no jornal Ativa Comunidade. Para a final vamos tentar transmitir ao vivo. Tem um narrador esportivo que trabalhou comigo, que é muito bom. Quem sabe traremos ele pra narrar a final do São Luiz Sub 17 no Jutair Neto”, revela Erildo.


O torcedor voltou a acreditar no seu time e a participação efetiva nos gramados tornou-se uma realidade.

 

Fotos: São Luiz F. Clube

 

 


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