São Luís de Montes Belos-GO

O esporte em São Luís não se resume apenas no futebol e no futsal. Outras categorias têm se destacado com excelentes resultados, conquistando prêmios e reconhecimento, como é o caso do ciclismo em mountain bike. Lamentavelmente a sociedade monte-belense ainda não se atentou para essa modalidade esportiva e nem sabe direito como é que, os atletas que a praticam sobrevivem, sobre os seus sonhos e expectativas.

Como se trata de um esporte caro para a realidade de uma cidade como São Luís. E o fato do atleta não contar com patrocínio, tendo que se manter com suas famílias por conta própria. Welington Menezes (Brancão), 24 anos, com vários títulos nos seu currículo, durante o dia trabalha como auxiliar de pedreiro; Rodolfo Medeiros, 23 anos, também um notável vencedor, é auxiliar de motorista de caminhão. Ainda assim, por amor ao esporte, todos os dias, após o trabalho, eles pegam suas bicicletas e se dedicam pesado nos treinamentos, percorrendo distâncias longas e exaustivas, retornando para suas residências somente à noite.

Para se ter ideia, uma bicicleta para competição chega a custar R$ 20 mil só para o mountain bike. Eles ainda utilizam a bicicleta speed ou de velocidade nos treinamentos em rodovias, para adquirirem resistência física, também muito cara. Depois, somam-se os custos com equipamentos, uniforme, alimentação, suplementos, despesas que eles mantêm também por conta própria. O ideal, segundo eles, seria que os empresários locais se sensibilizassem e se dispusessem a ajudá-los para que continuem trazendo prestígio e destaque para a cidade. Uma necessidade que eles ainda acreditam superar.  

”O mountain bike de São Luís está precisando de apoio, tanto do poder público municipal quanto da iniciativa privada. Muitos não sabem, mas a nossa cidade possui atletas de ponta, consagrados nas competições estaduais e de outros estados. Vários títulos de campeões e vice-campeões já foram conquistados, os quais têm elevado o nome da cidade, na condição de destaque na modalidade a nível estadual”, enfatiza Renato Machado, outro atleta do mountain bike local.

No ano passado o mountain bike de São Luís conquistou bons resultados nas principais competições em que participou como, em Goiânia, Anápolis, Goianira, Inhumas, Pirenópolis, dentre outras cidades. Na competição realizada em Goiânia, o mountain bike monte-belense alcançou três pódios, Rodolfo foi primeiro colocado, Welington (Brancão), ficou em segundo, disputando pela categoria Sub 30, também considerada como Super Elite e, Renato Machado ficou em terceiro lugar, na categoria Turismo B ou Máster, para competidores com idade entre 35 a 40 anos.

A prova de Goiânia foi realizada na Estância Aventura, localizada entre a capital do estado e a cidade de Goianira, na qual, os monte-belenses superaram além dos adversários as adversidades do terreno e suas insólitas condições, por se tratar de uma serra. A competição envolveu cerca de 500 competidores e exigiu cem por centro dos atletas, devido ao alto grau de elevação e os vários obstáculos difíceis de serem superados.

A próxima competição novamente será realizada em Goiânia, no próximo mês de abril. Esta prova denominada XCO, não é uma competição de longa distância. Pelo fato do circuito ser em uma mata, com difíceis obstáculos, os competidores terão que fazer entre três a quatro voltas com aproximadamente 12 quilômetros cada, que exigirão muito preparo físico, técnica e habilidade. Depois da prova de Goiânia, será a de Brasília, que terá um percurso de 70 quilômetros com muita subida e adrenalina, conta Brancão.

Para os treinamentos, Rodolfo e Brancão utilizam para adquirir resistência física nas pernas, além da própria mountain bike a bicicleta speed, ideal para provas de velocidade de longas distâncias. Nos finais de semana eles chegam a percorrer até 200 quilômetros.

Já os treinamentos com a bike, são realizados todos os dias após as 17 horas. Depois que eles cumprem suas jornadas de trabalho, nas suas atividades profissionais, para o sustento das suas famílias. “Nós saímos do serviço às 5 horas da tarde, chegamos em casa, às vezes nem dá tempo para tomar banho, vestimos o uniforme, colocamos o farol na bike e partimos para o treinamento, porque quando retornamos já é noite”, diz Brancão.  

Os percursos mais frequentes, além da serra de São Luís que eles realizam durante o dia até as torres, em 4 minutos, sempre procurando baixar esse tempo, outros percursos são igualmente desafiadores. A volta da Reforma com 53 quilômetros, por exemplo, começa no Posto Farol, percorrem cerca de 20 quilômetros pela estrada que vai para Adelândia, depois vira à esquerda sentido ao povoado da Reforma e retornam até chegar ao presídio, no Setor Morada Nova; a volta denominada pelos atletas de Seca Rins, eles percorrem 38 quilômetros só de subidas, começa no Parque das Araras, segue pela GO-060 até a moita de bambus, próximo a Bracol, depois retornam à São Luís.

Outro trajeto de longa distância, considerado como excelente para adquirir resistência física, utilizando a bicicleta speed – geralmente praticado por 6 competidores –, começa em São Luís, passa por Firminópolis, Turvânia, Palminópolis, Jandaia, Paumeúna, Paraúna, São João da Paraúna, povoado de Santo Antônio, povoado de Novo Planalto, novamente Firminópolis e concluem em São Luís, perfazendo o percurso de 178 quilômetros, em 5 horas e 10 minutos.

De acordo com Brancão os treinamentos não são acompanhados por um treinador ou técnico da modalidade, embora ele considere a orientação desse profissional, de extrema necessidade para o bom desempenho da categoria. “Nós temos muita vontade de ter um professor/treinador, mas para que isto aconteça, é necessário pagar em torno de R$ 350,00, mensal, cada atleta. Não temos recursos para bancar mais esta despesa”, lamenta Brancão.

Brancão cita os profissionais, Mauricio Fontinelli e o Eriberto Medeiros, ambos de Goiânia, como professores experientes no ciclismo e que, qualquer um deles estaria disposto a assumir essa responsabilidade. A maneira de conduzir os treinamentos não seria complicada. Antes, o professor contratado, realizaria uma reunião com a categoria, ficaria conhecendo o potencial de cada atleta, e acompanharia o rendimento individual dos participantes, através de uma planilha que ele enviaria diariamente para cada um e, com isto, avaliaria o desenvolvimento da performance individual dos competidores, orientando-os detalhadamente sobre o que precisa ser melhorado e a forma ideal da preparação. 

“Seria interessante, se uma empresa resolvesse patrocinar um desses professores. Ela gastaria entre R$ 2.500,00 a R$ 3.000,00 mensal, mas os resultados também refletiriam no caixa da empresa, além do prestigio que ela conquistará a nível de estado e nacional com a marca da empresa, estampada no uniforme dos atletas”, enfatiza Brancão.

 

Rachão do dia 2 de abril

 

No dia 2 de abril, a equipe de mountain bike, estará realizando um rachão, com a participação de atletas, de São Luís, Iporá, Goiás Velho e Itaberaí. Renato Machado recomenda aos interessados que desejam saber como é um treinamento de longa distância para competições de mountain bike. Que se posicione em algum lugar do trajeto que será percorrido.

O trajeto será o mesmo da volta da Reforma, com detalhe a mais. Além de subir a serra até as torres, eles farão todo o percurso de 53 quilômetros, também de volta.

Para os cinco primeiros colocados, a premiação será em dinheiro e troféus, do sexto ao décimo somente troféus. Os prêmios em dinheiro serão oferecidos através do patrocínio de alguns lojistas, somados ao resultado da taxa de inscrição no valor de R$ 40,00, para cada participante.

 

Fotos cedidas por Welington Menezes (Brancão)

 

 


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