Firminópolis-GO
virgula Eu tenho um filho, Iron de 14 anos que já é estradeiro, viaja comigo, é Rock’n roll como eu e músico. Blenis Rosa virgula


Com mais de 12 anos de estrada, o Moto Clube Punhos de Aço, de Firminópolis-GO, atualmente com quatro integrantes, chegou a ter 86 motociclistas estradeiros filiados. Dentre eles o Cel. Jorge Renato, na época comandante de Polícia Militar do Estado de Goiás e morador de São Luís de Montes Belos. Devido uma cisão ideológica no grupo, os dissidentes montaram outro Motoclube. No entanto a essência da primeira formação, permanece presente no comportamento dos seus quatro fiéis escudeiros, honrando e defendendo o lema que ostentam: Liberdade e Amizade.

O embrião pelo qual deu origem ao MC Punhos de Aço, começou a adquirir vida, a partir do momento em que o odontólogo Leandro e seu amigo Harley, encontraram o Blenismar Rosa (Blenis) – atual presidente – passeando com o seu triciclo pelas ruas de São Luís de Montes Belos. Os três apaixonados por motos se aproximaram, trocaram ideias e decidiram criar um motoclube que expressasse o sentimento de liberdade, aliado aos conceitos de fraternidade, lealdade, companheirismo e irmandade.

De acordo com Blenismar Rosa (Blenis), 53 anos, presidente do MC Punho de Ação, há vários anos, o Moto Clube deve ser uma extensão da família. É imprescindível ter respeito um pelo outro e estar pronto para acudir o companheiro sempre que precisar, sem jamais nutrir qualquer propósito de prejudicar este ou aquele. E, para ser um dos seus filiados, é necessário ter no sangue o espírito de aventura; ter viajado com o grupo no mínimo 5 mil quilômetros; respeitar as leis de trânsito; estar com a documentação em dia; viajar entre amigos; não empinar moto; ser solidário; e ser um autêntico estradeiro.


                                                       Vice-presidente do MC Punhos de Aço, Murillo Dias e o presidente Blenismar Rosa (Blenis Rosa).

O motociclista filiado ao MC Punhos de Aço, não tem o compromisso de contribuição mensal. Quando precisam realizar qualquer evento, reúnem-se, elaboram uma campanha para arrecadar o necessário entre os amigos ou simpatizantes que os conhece e reconhece a integridade e moral do grupo. É por esta razão que o fator companheirismo seja tão fundamental. “Existem vários amigos que viajam com a gente aguardando a oportunidade de serem contemplados com o direito de usar o nosso brasão”, revela o presidente Blenis.   

“Não admitimos motoqueiros transgressores. Os nossos companheiros não avançam o sinal, não empinam moto, não limitam moto. O motociclista estradeiro não curte o horniteiro – aquele que prefere a moto Hornet -  que possui sua moto possante somente para aparecer. Porque existe diferença entre motociclista, motoqueiro e o jaspeiro. Jaspeiro gosta de velocidade e filmar o velocímetro da sua moto para depois postar na internet para os amigos verem”, esclarece Blenis.

Outra observação feita por Blenis sobre o jaspeiro, é que ele precisa viajar depressa e ter que trafegar deitado sobre o tanque. Por ser uma posição muito desconfortável, com 300 quilômetros percorridos já se sente cansado. Ao contrário do estradeiro, que geralmente pilota a moto Custom, própria para longas distâncias, equipada com bolsa, baú, alforje e a bolha. Dessa forma, se ele manter a velocidade numa média de 100 quilômetros/hora, consegue percorrer 800 quilômetros/dia sem se abater pelo cansaço.

Todo estradeiro, de acordo com Blenis, respeita o outro e quando pega a estrada não consome bebida alcoólica. Os caminhoneiros, motoristas de ônibus que estão constantemente na estrada, são seus parceiros e companheiros. Quando estão em comboio, existe o ponteiro e o ferrolho que se comunicam o tempo todo por meio de rádio comunicador.

“É na estada, nas viagens que você conhece o verdadeiro amigo, aquele que vai te acudir em caso de uma pane na sua moto ou qualquer outro problema que eventualmente possa acontecer com você ou com um companheiro”, ressalta Blenis. 


Viagem do grupo subindo pelo Piauí até Fortaleza-CE, descendo o litoral da Brahia-BA, em 2016.

A irmandade estabelecida através de um Moto Clube é valiosíssima para o motoclubista. “Quando um ou vários integrantes de outro MC passam pela nossa cidade sede, eles são acolhidos e recebem total apoio da nossa comunidade como, hospedagem, atenção especial, suprimentos em caso de necessidade, porque somos uma sociedade fraterna. O mesmo acontece com a gente quando estamos em trânsito por alguma cidade onde existe um Moto Clube”, enfatiza Blenis.

Segundo Blenis, os Punhos de Aço, já fizeram viagens que duraram vários dias. Inclusive foi numa dessas viagens que ele conheceu sua namorada Soninha, natural de Araguaína-TO. Ela é estradeira, tem o seu próprio triciclo e fez parte do MC Estrudeiro de Goiânia. Em outra ocasião Soninha, no seu triciclo, realizou uma viagem que durou 45 dias até o estado do Piauí. Agora no final de julho, eles vão se encontrar, para irem juntos ao aniversário do MC Tuaregue de Rio Verde-GO.  

É do costume do estradeiro, não se hospedar em hotel. Quando em comboio, não é diferente, simplesmente escolhem um local seguro – geralmente nas áreas de escape dos postos de combustíveis –, abrem suas barracas e permanecem todos próximos, em irmandade.

“Eu tenho um filho, Iron de 14 anos que já é estradeiro, viaja comigo, é Rock’n roll como eu e músico. Ele tem um grupo de amigos conquistados nas estradas por onde passamos. A personalidade de um verdadeiro motociclista estradeiro é irretocável. Em qualquer lugar em que ele estiver, outro estradeiro que conheceu há vários anos, no momento em que se reencontram, ele o reconhece e o apoia no que for preciso”, revela Blenis.

Blenis tem prazer de dizer que já participou com os seus companheiros, de encontros de estradeiros por todo o Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina, Bolívia, Chile e, em todos esses países conquistaram amigos, e se orgulha dos inúmero mini-patchs que exibe no seu colete, representando cada motoclube, com o qual se tornou amigo. “Em breve iremos encontrar a equipe de estradeiros do Paraguai na cidade de Goiás, de onde partiremos até Cáceres-MT, atravessaremos o Rio Paraguai e vamos conhecer o Moto Clube deles, chamado Chopeiros do Paraguai”, conta.

“Os Abutres, que fazem parte do maior Moto Clube do mundo, são nossos amigos. Em Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, em todos os estados do país temos amigos estradeiros, com os quais estamos constantemente nos comunicando. Dentre eles os Bodes do Asfalto, formado por membros da Maçonaria”, destaca.

 

Fotos: Galera Esportiva/MC Punhos de Aço
Vídeo: YouTube

 

 


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